Recebi isso hoje, de uma das pessoas que mais respeito dentro do Parkour no Brasil, se é verdade ou não não sei, nem aconselho que outros repitam o feito, nem saiam por ai achando que são super-herois, mas acho que pela coragem e instinto, a historia vale a pena ser postada. Abraços
Soilwork Sarwatari Sasazaki Campeonato Brahileño novienta e seis
Ontem, dia 5 de outubro de 2006, logo após o expediente por volta das 18:05Hs, voltando pra casa já com o treino em mente previsto para começar às 18:15/18:30, como de costume, eu me apressava. Já em casa, conversando com a minha namorada e olhando pela varanda do meu apartamento, vi algo bem incomum ... Um indicio de fumaça no céu me chamou a atenção. Procurei rapidamente a fonte de tudo aquilo e corri o mais rápido que pude pro local. Infelizmente era um incêndio, e por sorte não havia ninguém no interior da casa, não que soubessem. Ainda estava no início, e o fogo já havia tomado todo o segundo andar da casa antiga (uma "casa geminada*") e o forro, composto também de madeira começou a desmoronar para o interior do 2º piso. Mantendo-me o mais calmo possível, pensei no que mais poderia acontecer, daí lembrei dos botijões de gás. Vi uma vila duas ou três casas à direita do incêndio, que foi por onde entrei. Não tinha tempo de bater na porta das casas e pedir permissão pra passar pelo quintal, foi então que eu percebi que seria mais difícil do que o imaginado. Como já estava escuro, e eu não conhecia nada do ambiente, decidi improvisar da forma mais cautelosa possível pra poder chegar bem próximo da cozinha da casa em chamas e ter um bom visual de como estava a situação (a distância do fogo pros botijões). - Tenho que ressaltar que foram os balances, saut de brás, passe muraille mais difíceis e tensos que eu já realizei. - Continuando ... Chegando no quintal da "casa alvo" percebi que o fogo já estava bem próximo dos botijões, mas ainda não dava pra ver o quão próximo, pois portas e janelas estavam trancadas. Notei em qual compartimento a cozinha ficava quando passei pelas casas vizinhas e fui direto ao ponto. Enquanto eu chutava as janelas (as portas estavam gradeadas e o fogo próximo demais pra eu me arriscar) com toda a força, tentando de alguma forma abri-las, passava pela minha cabeça no por que de todos lá fora não fazer nada, absolutamente nada pra ajudar e ficar apenas olhando a casa cair... literalmente. Ao mesmo tempo em que eu tentava abrir as janelas de forma incessante, começava a ouvir as sirenes dos bombeiros se aproximando, isso foi um alivio. Depois de ver onde os botijões estavam e a distancia em que o fogo se encontrava da cozinha, fiz o caminho de volta e informei aos bombeiros, que já estavam entrando na casa e alguns já estavam no telhado. De inicio ninguém parecia me ouvir, e de fato, ninguém ouviu. Decidi então voltar para o quintal da "casa alvo", mas no meio do caminho, entre a mesma e a casa vizinha, vi um vão que eu poderia passar e informar diretamente aos oficiais que estavam no telhado com a mangueira tentando apagar o fogo do 2º piso. Após informa-los, desci novamente para o quintal da casa em chamas e ajudei um único oficial a retirar os 2 botijões da área de risco. Após essa breve tentativa de ajuda, sai da situação e fiquei vendo os bombeiros trabalharem. Sim, eu sei que foi arriscado demais pra um civil fazer tal coisa, mas o que me preocupava não era o incêndio em si, e sim no que 2 botijões de gás poderiam fazer no meio de um incêndio, ainda mais sendo casa geminada, uma bem coladinha na outra, as coisas poderiam ter piorado e a vizinhança poderia ter sofrido bem mais. Também tentei ser o mais prudente possível e ponderar cada decisão de ir ali ou não, falar com alguém ou ver alguma coisa. Não quero que isso sirva de exemplo pra ninguém, muito menos que um incêndio se inicie perto da sua casa. Não quis aparecer com isso, não quis tentar por em pratica o que eu treino, não quis. Não pensei duas vezes em sair correndo da minha casa pra tentar, de alguma forma, ajudar alguém que até agora eu nem sei quem foi. Pra falar a verdade, não sei o que deu em mim pra ir até lá e muito menos de onde surgiu a coragem pra chegar tão perto...
Desculpem se o texto pareceu meio repetitivo ou mesmo sem uma linha cronológica correta. Bom, é isso. Abraços a todos. http://www.orm.com.br/plantao/noticia/default.asp?id_noticia=197887
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