Sábado, Setembro 30, 2006

Considerações gerais sobre as informações gerais divulgadas por aí :)

Andei lendo algumas coisas, dentre elas uma reportagem no blog do Akira, e to vendo que mesmo o cara que se diz mais experiente fala umas bobagens...e infelizmente a maioria do pessoal, na falta de um lugar melhor e com gente que leva as coisas a sério, acredita (não por estupidez, mas por falta de informações decentes pra comparar), e são apenas detalhes de informações erradas que causam uma confusão imensa. Como tem uma reportagem lá no meio, eu acredito que a mídia sempre comete algum deslize, mas eu particularmente acredito mais na incompetência de um cara que cada dia fala uma coisa diferente sobre o mesmo assunto:

- O Parkour é uma coisa definida sim, o conceito é simples e lida com evolução. O que muda não é o conceito absoluto de Parkour, mas a nossa visão desse conceito. O parkour não lida com movimentos pré-definidos e isso é uma porta imensa pra improvisação e definição das melhores formas de se movimentar em um ambiente específico, o que dá a impressão do conceito de parkour estar em evolução, mas não é assim. Isso já foi discutido muito no orkut há um bom tempo atrás, não aprendeu não, Leonard?

- O que tem a ver a evolução com o fato de ele ser um esporte ou não? Todo atleta ou praticante, de qualquer disciplina, esporte, atividade esportiva, qualquer coisa, busca sempre a evolução, ser melhor do que o próximo numa competição, superar a si mesmo. Mais uma vez você falou nada com nada.

- Método Natural é a coisa menos explicada nesse meio de Parkour, e ninguém tem informação suficiente pra sequer definir o MN, quanto mais praticar aqui no Brasil. É um sistema definido de exercícios, que não tem a ver necessariamente com treinar na natureza. Ainda assim, concordo que treinar em ambiente natural é muito bom mesmo.

- Sobre essa reportagem, uma notinha: ponto alto é diferente de ponto principal. Treinar parkour pra ajudar as pessoas é uma escolha pessoal, porque a maioria não treina com esse objetivo em mente como principal. Na verdade acho que ninguém. Mas é claro que uma vez que você se torna uma pessoa melhor, você pode compartilhar isso ajudando as outras pessoas e pode ajudar efetivamente pela capacidade (força, agilidade, destreza) que se ganha na prática do Parkour.

- A filosofia do Parkour, que posta nesse termo parece uma coisa intocável e sagrada, sempre existiu. Não é nada de intocável e sagrado, e o que o Foucan fez foi simplesmente "eu não concordo e quero seguir a minha filosofia, que é x e difere neste e neste ponto da do David Belle", assim como várias pessoas o fizeram, e o Foucan até trocou de nome o que ele praticava para Free Running, e depois A Urban Freeflow distorceu esse conceito misturando com o Freestyle, e todo mundo se acostumou com os conceitos distorcidos, e infelizmente as pessoas não desfazem essa confusão, e sempre usam os termos errados e se acostumam com idéias erradas do que realmente é Parkour, Free Running e Freestyle. Esse último conceito, já abandonado pelos criadores, que viram a merda imensa que fizeram.

E a discussão de sempre: "mortal não é parkour, então é proibido fazer?" Por favor, né gente, isso é tão discutido que já deveria ter sido resolvido há muito tempo. É simples a explicação: O David Belle falou que mortal e girinhos não são Parkour, mas ele (todo mundo) faz. Porque? Porque esta é uma forma a mais de se adquirir controle sobre o corpo, e uma atividade divertida, é legal pra cacete ficar la virando mortal e sentindo que você domina o teu corpo. Duvido que alguém não goste de mortais e girinhos em geral (eu falo girinhos de acrobacias, porque essas historias de inventar uns vaults esdrúxulos é ridícula).



Isso não é uma tentativa de criar (mais) briguinhas imbecis, mas por favor, Leonard, pra quem diz um dia que pratica há 4 anos, depois 5, depois 3, e depois 6, eu fico sempre com a opção de menos tempo, porque tu ta precisando se inteirar mais das coisas, viu.

Abraço pra todo mundo,

Terça-feira, Setembro 05, 2006

Um pouco da minha experiência em Lisses

19 de Agosto de 2006, Gare de l'Est, 7:00. Depois de ter pego o pior trem da minha vida, estou eu em Paris. Pior não só porque era um trem nourno desconfortável, mas porque tinha um casal que ocupava todo o espaço no lugar que já era pequeno. Os trens noturnos são divididos em sessões de 6 assentos, com umas 10 dessas sessões por vagão. Éramos 5 lá no meu. Aí tinha a mina que começava a rir quando a mulher do casal roncava, aí eu tinha que me esconder pra não rir também. Enfim eu consegui dormir e acordei assustado com o trem chegando, no instinto eu peguei minha coisas e saí andando.

Peguei um outro trem pra ir pro hotel e comecei pegando o trem errado já. Não foi bem errado, porque fazia a mesma rota com uma diferença de umas 5 paradas, entre elas a estação chamada Evry/Courcournnes. Eu desci na estação de Evry, que é do outro lado da cidade. Pega onibus, desce na outra estação, e pra onde eu vou agora? Sei lá, o legal é que eu to vendo aquele prédio laranja do vídeo da La Releve. Mas eu preciso ir pro hotel. Isso já deviam ser umas 10 da manhã. Aí peguei o onibus que o cara do centro de informações indicou, e olha que maravilha, LINHA ERRADA. Desci num ponto com o mesmo nome do lugar onde era o hotel, mas era o outro lado. E até achar o hotel foram-se mais alguns preciosos minutos. Cheguei em Paris as 7, cheguei no hotel eram meio dia. Ahhh o hotel. Deitei e dormi. Cansado pra cacete, acordei e me senti em Brasília, fui ao Carrefour fazer compras. Considerando minha experiência com compras em Frankfurt, essa foi bem melhor.


Notem que na tv tá passando o caompeonato de Rugby auheuae

Enquanto o pessoal não chegava, eu fui dar uma volta e ver de qual era do lugar. 200 metros e sem cerimônia eu já dei de cara com esse negócio aqui:


Mesmo com a mão coçando, eu fui ver o resto da cidade. O parque é integralmente lindo e agradável. E tava lá o Piamontesi dos Yamakasi com sua família e seu cachorro tendo um momento familiar no Parque du Lac. Coisas de Lisses, né.

A vila de Lisses é um lugar muito simpático, fácil de morar, tranquilo, cheio de verde. Tanto que eu cheguei lá atravessando uma mata, mas foi por opção :P E realmente dá pra entender da onde o Belle tira aquelas cenas do meio do mato. Tudo muito massa, tinha um pivetinho carregando um tronco no meio do mato, a galera já nasce no espírito haha

Primeiro dia, mó cansado da viagem e o pessoal só ia chegar no dia seguinte, adormeci em Lisses. Na verdade é em Courcouronnes, é tudo tão pertinho que as vezes nem se sabe onde está. Quanto ao nome, porque quanto aos lugares dá pra saber muito bem onde se está.


Pra caso alguém esteja perdido :D

Pois bem, estou sentado na porta do hotel no dia seguinte quando me chega uma criatura pulando do nada e ele tinha uma calça escrito parkour. E de repente chegam mais dois. O primeiro era o Jason do Sin-clan e os outros dois eram o George e o Owen do TCT. E vieram mais o Bobby, o Christian e o Guy, esses doi últimos do Nextgen. A má notícia foi que o Jin e a Liv não puderam ir. Então divididos os quartos como combinado ficamos eu, Owen e Guy.

Foi questão de chegar, jogar as malas e saímos pra treinar. É estranho estar em Lisses, ainda mais com esse pessoal. E como é tudo pertinho, a rotina de treino era Lisses e Dame du Lac, sendo que Lisses é por exemplo tudo o que se vê no documentário pra TF1 do David Belle. E alguns dias Evry. E claro, Lisses e Dame du Lac dia e noite :D

E no dia seguinte estávamos todos que treinamos regularmente em Lisses: Owen, Jason, Guy, George, Bobby, Christian, Thomas (des Bois), Jerome Lebret (o admin da parkour.net), o irmão do Jerome, 3 caras do Northern Parkour (Inglaterra) , uns 3 que treinaram só dois dias com a gente da Polônia e alguns nativos, que provam que treinar regularmente em Lisses tendo aquele pessoal de lá é saudável.

Quanto ao tipo de treino, pela situação, foi mais dicrecionado a Parkour do que a condicionamento físico, mas haja condicionamento físico pra ficar forte que nem essa galera hehe


Um cara do n.p., Owen, Guy, Jason, Bobby na árvore, Jerome, outro cara do n.p., dois nativos, o Christian de vermelho na frente do George que está na frente de outro cara de Lisses e o Thomas. A titulo de curiosidade, essa árvore que o Belle pula do banquinho no documentário, que é esse banquinho ae iclusive, mas o galho já quebrou. Rapaz, é longinho o galho do banquinho hehe

Se eu for escrever tudo o que todo mundo fez ou deixou de fazer vai ficar gigantesco o post, e isso eu vou usando como exemplo em outros posts provavelmente. E sobre as pessoas, igualmente. Todos tem ótimo nível técnico, são bem fortes e tem paciência (porque fazer alguns exercícios de condicionamento e as repetições de movimentos requer paciência as vezes)

Um dia naquela escada marrom nós chegamos pra treinar e lá estava o David Belle com seu companheiro, o Romain (sabe o comercial da coca cola que tem parkour? é ele que bebe no final :P), mas como tinha muita gente, ele saiu andando haha, mesmo que tivesse todo mundo treinando e ninguem enchendo o saco tietando (porque dá pra ver que ele não curte isso), e ficou uma boa impressão dum cara que tá mais preocupado em treinar do que ser reconhecido, isso foi legal. Depois ele apareceu nuns 2 treinos nossos e passou algumas coisas simples, mas que lidam com assuntos que as pessoas ainda insistem em discutir, mas em suma foi "se você quer conhecer o seu corpo, tem de movimenta-lo de todas as formas possíveis", dando como exemplo pular sobre uma superficie a partir do chão e cair em todas as posições (de frente, de costas, de lado). E coisas sobre pliometria também. Não teve nada de mágico e que vai fazer de mim super especial por ter treinado com o Belle, mas a inspiração e a vontade de treinar pra atingir o nível de umas ciosas que eu vi são algo que não dá pra compartilhar a não ser escrevendo aqui, o que restringe um pouco o sentimento. O assunto fica inclusive pra um outro post.

Na minha última noite nós compramos pizza e comemos na caverna do dame do lac (no meio, a esquerda). Aí no dia seguinte eu arrumei as coisas, me despedi de todo mundo e quando eu tava sentado na parada de onibus eu me toquei que eu só ia embora no dia seguinte haha, áí voltei correndo e treinei mais com o pessoal. Nesse dia eu entreguei a camisa do evento de Curitiba pro Thomas. Eu vi de longe ele mostrando pro Belle e os dois achando legal, mas como tava cheio de gente no treino e eu não queria chamar atenção demais pra mim :P eu nem entreguei pro Belle. E como não o vi no dia seguinte, deixei com o Thomas, pena que não pude entregar ao vivo. O Thomas agradeceu muito, e aos que o conhecem, sabem da importância que ele tem, além de ser uma ótima pessoa. Tanto que no dia seguinte apareceu treinando com a camisa haha (como ele é diplomático euhae). Ele me disse já também que o Belle agradeceu, então se verem os dois poraí com uma camisa do encontro de curitiba, não estranhem, e eles não foram disfarçados :D

A seguir vão algumas fotos com medidas pra quem sempre se perguntou o tamanho das coisas em Lisses. De primeira já vai a que todo mundo mais pergunta:

Ecole, Alex, a Ecole, e sim, foi bem aí que eu subi

Aquele pulo famoso da ultima cena do documentário e a ultima parte da cena da perseguição no b13. Daquela terceira sacada pra esse predio à minha esquerda. Não só a distância do pulo é desumana, como daí de onde eu to pra baixo é a mesma altura daí pra cima. Olhando daí eu achei que fosse mais simples, mas indo ali na ponta da sacada e olhando, tem que ser macho pra pular haha

"Woman was made for maaaan...this goes out for my brooklin crew" Esse tic tac pra subir a escola foi uma das coisas que mais me impressionou. Esse tem que ser bão pra fazer hehe

Rapaz, esse precision da escada pra ponta dela é mais dificil do que parece


Textura do dame du lac


Olha que treino pesado: Os cara do N.P. e o Jason, o irmão do Jerome, Owen, Jerome, um de Lisses, eu, Chris, Geirge e Bobby. As pizzas foram escondidas pra manter a pose de pessoas que se alimentam naturalmente :D

Em um post só não dá pra falar tudo, com o tempo eu vou refletindo sobre algumas coisas que eu vi e desenvolvendo algumas idéias, mas a parte de viagem foi essa aí.

Se alguém tiver qualquer dúvida, clicando em mim aí do lado esquerdo tem meu email tem meu email, aí qualquer pergunta interessante eu posto aqui com a devida resposta.

A mensagem que ficou dessa visita foi reforçando tudo o que sempre é dito: repetição, condicionamento físico, superação de limites. Ninguem desse povo mais conhcecido faz o que faz porque acordou sabendo. É fruto de vários anos de treinamento. Com algumas coisas absurdas até, mas que não deixam de dar ótimos resultados. Quer melhorar seu landing do precision? Porque não passar água nos lugares que voce treina normalmente no inverno e esperar no dia seguinte pra fazer precisions no gelo? Quem disse que não se consegue andar em volta da vila de Lisses de quadrupedal? Ou em volta do lago, como eu vi o pessoal doNorthern Parkour fazendo. Basta apenas a vontade de ir além :) E depois de treinar com esse pessoal, muita coisa muda na visão de alguém com muitaos conceitos em desenvolvimento como eu, mas essas tem que ser explicadas com calma.

Gare de l'est, 22:45 do dia 28 de agosto, la vou eu pra Frankfurt pegar o avião pra Finlândia.

Recomendo uma viagem dessas a todo mundo que pratica Parkour.

Abraços,

Sábado, Setembro 02, 2006

Logo, algumas palavras sobre esses lugares e pessoas que estiveram lá comigo...

:)

Sexta-feira, Setembro 01, 2006

Spreading The Word

Nessa última quarta-feira estava rolando um evento cultural na USP de São Carlos/SP onde haveria um espaço para o Parkour. Então, convidado pelo Eduardo (Le Parkour Brasil), fui pra lá junto com ele pra passar um pouco sobre o que era o Parkour, a história, experiências pessoais, etc.

A experiência foi bastante válida e posso dizer que aprendi muito. Acredito que a cena mais legal do dia foi ao final quando um dos caras que tava lá veio dar um abraço em mim e no Eduardo agradecendo bastante pelas palavras e inspiração. A alegria do cara tava estampada de uma tal forma que me tocou bastante.

Começamos mostrando um vídeo que eu editei que mostra bem o que é o Parkour visualmente e muitos pegaram bem o espírito do que era mesmo sem ter um conhecimento prévio do assunto.

VÍDEO AQUI

Agradecimentos ao Eduardo, ao pessoal do grupo Parkour São Carlos e parabéns a USP São Carlos pela iniciativa.