Quarta-feira, Maio 31, 2006

Este em casa? tem tempo suficiente pra entrar aqui? então o tempo que você gastaria lendo nossos posts kilometricos, use hoje para um proposito melhor, faça exercicios...



VÁ TREINAR!

Quarta-feira, Maio 24, 2006

Exercicios quadrupedais tem sido usado como forma de treinamento em treinamentos militares, de diversos paises. Na frança eles utilizam muito esses movimentos em 4 membros para auxiliar no ganho de força do traceur. (existem videos do Belle, e dos Yamakasi botando a galera pra subir no quadrupedal).




Para complementar meu post anterior, vou botar aqui 4 diferentes formas de exercicios quadrupedais, são exercicios que trabalham muito a força e o controle do corpo.
o primeiro é simples e basico subindo a escada normalmente andando com os 4 membros, esse quase não da trabalho ou esforço, a parte mais trabalhada é a perna. (esquerda)






O Segundo é mais dificil e trabalha os ombros, o braço e as costas (se trabalha algo mais não sei, nao sou professor de educação fisica). Descer as escadas de forma lenta e controlada focando bastante na respiração. (direita)




Acredito que esse seja o mais cansativo mas ao mesmo tempo o melhor, que trabalha mais, ajudando na explosão e na força. Subir no movimento quadrupedal contrario, nesse o controle para troca de mãos deve ser calmo e cuidadoso, para não se atrapalhar e cair. soltar o ar é sempre muito importante, solte com força.



Esse outro é um dos meus preferidos, apesar de não parecer tão "pesado" ele trabalha muito a parte de tras e faz o corpo se movimentar praticamente com os membros principais contraidos quase que grande parte do tempo, sem falar no controle/equilibrio.








Esses são ótimos exercicios que auxiliam aqueles que preferem manter o fisico de uma forma natural, sem academia, e gastando pouco dinheiro. lembre-se que fazer uma vez só não adianta, repita, elabore series de exercicios e trabalhe muito bem seu condicionamento fisico, é um dos pontos mais importantes no Parkour.

Terça-feira, Maio 23, 2006

Evoluir, a onda do momento.

Quando se fala em Parkour, a primeira coisa que dizem é "Evolução constante!", Será?

Eu pratico Parkour a quase 2 anos e 5 meses, de la pra cá venho me dedicado completamente a meu desenvolvimento fisico, como a maioria sabe eu venho de uma condição fisica totalmente desfavoravel para prática. Demorei 6 meses para conseguir dar um kong numa mesa rasoavelmente pequena. O Fato é que nunca tive ninguem pra me ensinar, e tive que desenvolver minha mente e corpo sozinho até pouco tempo atrás.

Depois de 2 anos, treinando duro (da forma que eu acreditava ser certa) dedicando varias horas aos treinos, andando e procurando lugares para treinar, descobri que estava tudo errado, completamente errado. Obviamente treinando como eu fazia eu alcançava determinado ponto, e executava os movimentos, mas faltava controle... e o mais importante, FORÇA!

Após assistir o documentario "Generatión Yamakasi" resolvemos reformular toda nossa rotina de treino, uma rotina a base de muita treino fisico, e bastante "Militar drill style". Mudamos nosso foco dentro do que praticavamos, o unico objetivo do Parkour virou, se tornar cada vez mais forte! os movimentos são importantes, mas não queriamos simplesmente fazer movimentos, queremos ter controle total sobre nossos corpos, não simplesmente fazer, mas fazer com perfeição, e sem risco nenhum a nossas vidas.

"...Repetition is very important..."

Nossos treinos continuaram com a mesma duração de tempo, mas dessa vez sentia-se que realmente estavamos treinando. No inicio do treino alongamentos de sempre se tornaram mais rigidos, e exercicios fisicos se tornaram o foco dos treinos durando a maior parte dele. e repetições... interminaveis repetições. lembro a primeira vez que fomos fazer 100 landings, parecia uma eternidade, hoje em dia ja soa básico demais, e a serie precisa de ajustes.

"...a habilidade de desligar seus pensamentos e simplesmente repetir cada movimento dez, vinte, centenas de vezez, até estar perfeito. As vezes pode ser dificil, mas deve ser exigido - caso contrario nenhum progresso real nunca será feito, e estará sempre brincando no Parkour..." - Stéphane Vigroux

Em 3 meses que tenho dedicado totalmente ao fisico e a repetição continua dos movimentos minha evolução foi maior do que todos resto do tempo que eu treino, tenho varios calos novos, e isso não é muito bonito, mas o resultado é muito mais controle e força e mente! somente o condicionamento em cima de movimentos tras controle mental sobre situações e confiança para executar e se auto-conhecer. e sem mental, nada acontece.



"...Controle é uma mistura de experiencia e força..." Andi, TT
"...Treinar controle significa repetir uma coisa mais e mais. Significa pular 50 vezes seguidas, treinar outra coisa, descansar um pouco, voltar e fazer mais 50 vezes. Tente fazer 150-250 vezes em um dia, se acostume-se a isso, entenda, sinta, e melhore... " Andi, Team Traceur

Crie metas a si mesmo, procure a evolução e o avanço, desafie seu corpo, e trabalhe ele ao maximo, procure resultados, fazer pro fazer não traz nenhum.


Nós sempre avançamos, e você?

Domingo, Maio 21, 2006

Hoje foi legal. Deu pra sentir um pouco do espírito de "ser forte para ser útil". Estávamos eu, o beto e um amigo nosso em um lugar calminho da Brasília (o pontão, pra quem é daqui), quando ouvimos de longe o barulho de um carro capotando.

Imaginem pessoas que pularam a cerca no melhor estilo parkour, correram muito rápido coisa de quase 1 km pra chegar lá (sim, o local é tão tranquilo que deu pra ouvir hehe), e (ainda bem, fiquei muito aliviado) encontramos um carro virado e o motorista fora dele, depois de ter saído (estava de cinto de segurança e ficou bem protegido) no estado que qualquer um estaria depois de capotar um carro, mas sem nenhum arranhão. Ah, rolou até um speed no guard rail (claro que não ia perder a chance de sentir que eu tava pondo em prática um vault! uaeuhae) Ajudamos a virar o carro de volta e tirar do meio da pista. O cara ficou muito grato pela ajuda, e nós ficamos muito gratos de poder ajudar.

Não é uma história heróica de salvar vidas, mas deu pra sentir um pouco do "se precisar chegar rápido pra ajudar, a gente chega" e "se precisar fazer força, a gente pode ajudar".

É muito bom sentir que tudo o que a gente treina pode nos ajudar em uma situação prática, mesmo em uma simples e tranquila como essa de hoje.

Mesmo tendo treinado pesado ontem e hoje, ganhei gás em dobro pra treinar amanhã!

Iaí, já aprendeu o que é quadrupedal e já subiu uma escada de costas hoje? :D

Abraços

Sábado, Maio 20, 2006

Ligue djá! Pule djá!

Muitos começaram do zero, sem ninguem mais experiente no pé pra passar algum conhecimento. As figurinhas mais conhecidas e antigas do Parkour no Brasil são um bom exemplo disso. Quem perguntar como eles aprenderam as primeiras coisas, a resposta é quase unânime: "Vendo vídeos e tentando reproduzir na rua". Até aí tudo bem. Eu já tive sorte de pegar essa primeira geração já com algum conhecimento e aprender alguma coisa já mastigada, mas tive que ralar bastante pra aprender algumas coisas. Hoje em dia tenho contato com pessoas de ótimo nível técnico que me tiram dúvidas sobre os mais variados aspectos do Parkour, ou seja, nada mudou :D

Mas com o tempo a gente vai conhecendo gente com cada vez mais experiência e que pode ensinar cada vez coisas mais avançadas. E hoje várias pessoas tem experiências e tem capacidade e disposição para ensinar os menos experientes. Tudo lindo até aí, todo mundo se ajudando, parece até utópico. Mas tem uma galera que se declara muito mais experiente e capaz do que é. Que faz um barulho, mas quando chega na hora do vamo ver, sempre evita de mostrar o que alega tanto ser.

Bem, não vou citar nomes de histórias que eu conheço, as pessoas assim são fáceis de notar, e quem passa ou já passou por uma experiência dessas já deve ter identificado o coleguinha charlatão de sua cidade, seu país, sua ceninha, seja lá de onde você for e onde isso acontece.

A minha pergunta é: Se você aprende frequentemente com alguma pessoa, ou um cara que se diz experiente te ensinou alguma coisa, o quanto você confia neste conhecimento? Você conhece a história desse cara? Você já leu o que ele escreveu e se as idéias dele tem alguma consistência?

Eu lhes digo, com a minha experiência, procure alguém que treina há pelo menos dois anos a mais do que você, costuma ser o ideal. Mas um ano de treino já dá alguma pequena luz para uma pessoa. Mas cuidado, o tempo de treino que as pessoas alegam ter, nem sempre reflete o nível que elas tem.

Tomem cuidado, pesquisem, procurem referências. Perguntem pra todo mundo sobre todas as pessoas. Se quiserem uma opinião pessoal sobre alguém, bernardo@parkour.com.br (não vale mandar email escondido pra saber o que eu penso de você sem mostrar quem é, hein :/) mas é uma opinião pessoal, que vocês não devem confiar unicamente, perguntem pra mais pessoas :)

Abraço, e subam uma escada de quadrupedal hoje...o que? Você não sabe o que é quadrupedal? Me mata de vergonha :( Pergunta no email então ;D

EDITADO
Como escrevi isso um pouco rápido, depois, quando saí de casa pra treinar notei que ficou faltando uma pergunta muito importante num parágrafo ali só de perguntas...

Além de conhecer e ter referências do cara, você já viu ele efetivamente praticando Parkour? Isso é tão importante quanto saber para que serve o que se treina!

Quinta-feira, Maio 18, 2006

Parkour... para ingles ver...

Parkour tem como ponto principal desenvolvimento pessoal, servir de ferramenta para o Traceur se tornar alguem mais forte, desenvolver não só o fisico como o espirito. Yamakasi.*
Poderiamos dizer que Traceurs são guerreiros, mas não guerreiros de distruição, mas que lutam e se esforçam por si mesmo, onde o objetivo primario é se tornar mais forte e modificar o caráter. Se você não é forte para si mesmo, como poderá ajudar alguem?

Todos querem praticar Parkour, virou a moda do momento, milhares de pessoas em comunidades sobre Parkour em todo Brasil, onde 70% dos tópicos se resumem a "videos" e conflitos de interesse. Dezenas de videos são postados por ai toda semana, os piores são: "Meu primeiro treino", e Dezenas de outros grupos que marcam 2 sessões de fotos por semana, e 1 treino por mês. Todos querem treinar o "novo esporte de saltar coisas" mas ninguem quer ir pro chão fazer flexões, subir escadas de costas em movimento quadrupedal, fazer abdominais, barras, nem nada do tipo, só querem sair pulando por ai... e cade o desenvolvimento pessoal? a evolução? A Evolução será como mostrada lá na frente, com centenas de dores de joelhos, e ossos quebrados, comprovado por Darwin e sua teoria de seleção natural.

Uma pergunta que vem sempre na minha cabeça é "Porque filmar o primeiro treino?". Primeiro treino é quando a pessoa vai se descobrir, ver como cada movimento funciona, tentar aprender e se conhecer melhor, descobrir seu proprio corpo (ui?!), e se desenvolver. Mas o que acontece é um primeiro treino dedicado a filmagens, "Filma isso!" "Isso aqui o povo da comunidade vai curtir" "não to fazendo direito, mas na foto fica dahora!" e assim o cara chega em casa com as pernas doendo porque não tem nenhum preparo fisico e ficou pulando por ai. Não treinou, e posta um video e fotos na internet e poe Le parkour do lado do nick no msn... agora pergunto pra que?

Criou-se uma cultura de se firmar nas opiniões alheias, onde o que conta é impressionar o proximo, mostrar, mostrar mostrar... a masculinidade das pessoas agora é medida pelo "tamanho do pulo sem rolamento". onde o cara só tem moral se mostrar, não importa se o que ele fala tem coerencia ou não, mas tem que "mostrar um video" para ver se ele manda bem ou não. Uma disciplina que prega a não competição está sendo a mais competitiva de todas, a arte que se faz para você mesmo, sem se preocupar com o outro, só funciona se você gravar um video mostrando que consegue fazer.

Deveriamos mudar essa cultura, e ao inves de fazer imagens para botar na internet, treinar, e estudar mais sobre o que se pratica. Mais parkour e menos imagem.

Sexta-feira, Maio 05, 2006

O Espírito do Parkour

O texto abaixo foi escrito por Djordje Djordjevic, representante da PAWA na Australia. Ele vai ser publicado no Parkour.net assim que esse voltar ao ar.

É um texto sobre sua visão do que é o Parkour, do que significa ser um Traceur. Não compreende toda a história do Parkour por não ser esse o propósito, mas ajuda a enxergar a base da disciplina.

Ele foi traduzido por mim, mas se você entende inglês prefira a versão original:

http://beta.yousendit.com/transfer.php?action=download&ufid=2687882B627304D8 (formato .doc)

Tentei manter a tradução o mais fiel ao original possível.

Copyright Djordje Djordjevic 2006
Traduzido por Jean Wainer

ESSÊNCIA:

- As propriedades intrísecas ou indispensáveis que servem para caracterizar ou identificar algo.

ESPÍRITO:


- A natureza essencial de uma pessoa ou grupo.

O espírito e a essência do Parkour como uma disciplina atlética e modo de vida podem ser melhor explorados respondendo a pergunta “o que significa ser um Traceur?”

Muitas pessoas acreditam que a palavra “Traceur” simplesmente se refere a alguém que pratica Parkour. Basicamente isso é correto uma vez que é compreendido que Parkour é muito mais que um conjunto de movimentos físicos.

Para dizer que alguem pratica Parkour e é então um Traceur, esse alguém precisa aplicar uma disciplina mental, propósito e etos ao seu treinamento. O resultado disso sempre será a mudança de sua perspectiva do mundo enquanto obstáculos e desafios, tanto físicos como mentais, se tornam progressivamente menos desafiadores.

Para entender a perspectiva de um traceur, é preciso entender a história do desenvolvimento do Parkour, das experiências na infância de Raymond Belle no Vietnam, até as descobertas do Methode Naturelle de Georges Hébert (Método Natural) – do qual Raymond se tornou muito habituado durante sua carreira como um um Sapeur-pompier de elite (bombeiros militares de elite, na França) –, e finalmente na educação mental e treinamento físico de seu filho, David Belle, quem então comunicou esses ideais e essas técnicas ao mundo através da disciplina Parkour.

Raymond Belle era um soldado adolescente na guerra do Vietnam, lutando contra os invasores ocidentais. O denso terreno selvagem significava que conhecimento local era uma vantagem crucial que a milícia local em vasta desvantagem de equipamento teria que explorar para qualquer chance de sobrevivência. Raymond Belle e sua unidade se tornaram extemamente adeptos a usar o terreno local em sua vantagem, se movendo rapidamente e silenciosamente pela densa floresta, surpreendendo seus inimigos e depois rapidamente se retirando para evitar serem trazidos em uma batalha perdendo sua preciosa vantagem. Foram nessas táticas desesperadas de guerrilha que a idéia de Parkour como uma ferramenta instintiva e prática nasceu. Os benefícios dados pelos movimentos rápidos, eficientes e controlados não eram fama, elegância, ou uma “ascenção espiritual”, era a diferença entre vida e morte. Seria usada para alcançar um ao outro para socorro, para escapar quando surgisse a necessidade, e sobreviver através da improvisação quando o caos acontecesse. Seu movimento se tornara sua vida.

Eventualmente Raymond Belle teria sido acolhido por soldados franceses, e colocado num regimento onde ele foi introduzido ao treinamento militar estruturado. “Embora treinado para matar, o jovem soldado sairia em busca de salvar vidas”1
.

Depois da guerra quando Raymond criava seu novo lar, integrou o regimento parisiense de sapeurs-pompiers militares (bombeiros militares). Foi lá que ele foi propriamente emergido no “Méthode Naturelle” de Georges Hébert, um programa estruturado de desenvolvimento físico e mental que se tornou padrão e base de treinamento militar internacional. As experiências de Raymond no Vietnam, e seu entendimento pessoal de movimento eficaz e útil, agora tinham uma base na qual poderiam ser desenvolvidos através de refinamento disciplinado da técnica.

Passado de Georges Hébert:
Aos 27 anos, Georges Hébert coordenou a evacuação de 700 pessoas da idade de St Pierre durante uma catastrófica erupção vulcânica. Essa experiência surtiu profundos efeitos nele, reforçando sua crença na importância da força física e do altruísmo.

Hébert teria viajado extensivamente pelo mundo afora e se impressionou pelo desenvolvimento físico e habilidades dos movimentos de povos indígenas na Africa e outros lugares:

"Seus corpos eram esplêndidos, flexíveis, ágeis, habilidosos, duráveis, resistentes e ainda nunca tiveram nenhum tutor em ginástica exceto pelo seu convívio com a natureza."

Eventualmente, ele expressou seu entendimento através de seu lema pessoal:

“Etre fort pour être utile"
-
"Ser forte para ser útil."

Essa frase encapsula o propósito por trás do desenvolvimento do seu método natural tão completamente, que seu significado pode ser considerado como um passo crucial para o entendimento do desenvolvimento da perspectiva do traceur. Ela também reforça a noção de um propósito constante como base do treinamento de um traceur, que passa pelo início da história de Raymond.



E seu Méthode Naturelle (Método Natural):

Georges Hébert escreveu:

"O objetivo final da educação física é formar seres fortes. No senso puramente físico, o Método Natural promove as qualidades de resistência orgânica, muscularidade e velocidade, em função de poder andar, correr, pular, movimento quadrúpede, escalar, andar em equilíbrio, arremessar, levantar, defender-se, e nadar.

No senso “viril” ou energético, o sistema consiste em ter energia suficiente, força de vontade, coragem, frieza, e fermeté (“firmeza”).

No senso moral, a educação, pela elevação das emoções, conduz ou mantem a fibra moral de uma forma útil e benéfica.”

“O verdadeiro Método Natural, no seu sentido mais abrangente, precisa ser considerado como o resultado dessas três forças em particular; é uma síntese do físico, viril e moral. Reside não só nos músculos e na respiração, mas acima de tudo na “energia” que é usada, na determinação que direciona e no sentimento que guia.”

“Uma sessão de treinamento consiste, então, de exercícios num ambiente externo - “um curso de grande ou curta distância (algumas centenas de metros até vários kilometros), durante o qual um anda, corre, salta, desloca quadrúpedalmente, escala, anda em equilíbrio instável, levanta e carrega, arremessa, luta e nada.”
2




A habilidade de Raymond foi rapidamente reconhecida, e ele 'foi ingressar numa equipe de elite do seu regimento, composta pelos bombeiros mais ágeis e condicionados. Seus inigualáveis membros eram chamados para assumir as missões de resgate mais difíceis e perigosas.'1
Em mais de 17 anos de regimento, Raymond performou atos de altruísmo em incontáveis resgates, e se tornou a personificação dos sapeurs-pompiers. No entanto, mais importante para o Parkour, ele passou para seu filho David seus ideais e valores nascidos de suas próprias experiências, numa plataforma disciplinada na qual eles poderiam ser nutridos e ensinados.

Crescendo com um herói tão grande como figura paterna resultou em David continuando o legado de Raymond, e dedicar sua vida à progressão através do movimento, mas mais importante à idéia de que todo seu teinamento deveria ser aplicável à vida real e ajudá-lo a resolver problemas ou situações extremas. Depois de se mudar do campo para um dos provavelmente mais tediosos subúrbios parisienses na sua pré-adolescência, David começou a adotar sua habilidade e compreendimento da vizinhança urbana. Ele criaria situações na sua cabeça onde ele teria que salvar alguem de um prédio em chamas, ou escapar com vida de um assaltante, e treinava os movimentos para isso.
Eficiência, velocidade, eficácia, logividade e controle se tornaram focos do seu treino, e eventualmente mais situações se tornaram fáceis de resolver. Seu treino constantemente o levava mais longe e mais alto, aumentando seu potêncial de ajudar, e um conjunto de técnicas básicas para conquistar uma majoridade de obstáculos evoluia. Conforme as pessoas reconheciam esse garoto e sua movimentação com um propósito, um grupo começou a se formar dos amigos e familiares de David. Essencialmente eles se juntaram à David para aprender a se movimentar novamente, para descobrir algo tão natural que se tornara perdido no mundo moderno. Sempre que aparecesse alguem novo, o grupo alegremente o aceitava e o treinava, espalhando o conhecimento e habilidade que todos compartilhavam.
A disciplina atlética chamada de Parkour foi o resultado disso.
Na sua simplicidade natural, Parkour era sobre movimentar-se com um propósito, um propósito REAL. Não um propósito superficial, como ficar bonito ou ter um momento de emoção, mas algo que pudesse fazer uma diferença positiva no mundo, que pudesse ajudar alguem. Um propósito que durasse e continuasse.

O traceur é a pessoa que foca em usar o treino físico das metas do Parkour; eficiência, velocidade, eficácia, controle, logevidade; para fazer uma diferença positiva no mundo, para ajudar outros assim como ajudar a si mesmo, e espalhar essa mensagem à outros. A mensagem do Parkour é de união e aceitação. Ambos os sexos, todas as raças, qualquer um pode ser um traceur, contando que tenha o coração para isso.

A frase “Etre et durer”, traduzida para “Ser e durar” (“To be and to last”, em inglês) sintetiza o propósito e objetivo de um traceur [ser forte de todas as formas, e que essa força dure, através de você e aqueles que você ajudar], e se tornou um lema para traceurs ao redor do mundo.


Quinta-feira, Maio 04, 2006

Novas considerações...

Após alguns topicos e conversas por MSN com varias pessoas, a respeito das idéias e conceitos propostos pelo Erwan (Hebertiste) de como ele não gostaria de ver o Metodo Natural se tansformar no que o Parkour se transformou, de ser totalmente distorcido e re-interpretado da maneira que as pessoas pensaram ser adequado, após uma grande "bronca" que levei do próprio Erwan, cheguei a algumas conclusões.

Definitivamente ao nomear uma pratica e estruturá-la com base em diversas outras praticas definidas e disciplinadas, Belle não tinha a intenção de fazer do Parkour o que ele é hoje, onde os praticantes preocupam-se em disputar definições de o que é ou não Parkour, abrindo-o para uma interpretação individual do que acham ser a pratica.

Eis o ponto de nosso colega Hebertiste, deixar que algo como o Metodo caia nesta distorção em que o Parkour caiu seria uma total vergonha... já que aprendemos que uma pratica fisica definida não pode ficar aberta desta maneira ou seus objetivos e metodos se perdem... com o tempo o metodo será divulgado da maneira correta...

isso não lembra as frases do David? "enquanto esperam por mais informações, treinem duro e evoluam..." está correto, ainda não existe uma informação ou fonte dela fixa, não existem instrutores com credibilidade, não existe sequer o site oficial da PAWA.
o futuro seria a re-estruturação do metodo de divulgação do Parkour e uma estruturação de seu ensino, pois acreditar que "todos podemos aprender sozinhos", é ilusão, isso é exatamente o que abre espaço para os problemas da pratica hoje.

a ilusão de "liberdade" e a visão romantica de que seria uma pratica "rebelde underground" ou qualquer coisa assim, atrapalham o real entendimento dos motivos para praticar-se Parkour. Ver a cidade de uma maneira diferente, ver o mundo de uma maneria diferente, não enxergar obstaculos fisicos, não permitir que seu condicionamento seja um obstaculo, ajudar outros a terem este entendimento e habilidades, ser um traceur é ser uma pessoa melhor não apenas para aqueles que o cercam, mas para si mesmo. Ser saudavel e util.

O Método de Hebert não se perderá na ignorancia da web e suas traduções, porém cabe a todos nós resgatar o Parkour que se perdeu e foi substituido por esta versão do-it-your-way, fast-food, franquia mundial de falsa "liberdade" egocentrica....

isso se faz com organização e motodo de treino, definir a pratica e os treinos através de todas as referencias possiveis, o melhor de cada tecnica especifica e juntar em um metodo de treino que gere um traceur melhor, enquanto não chegam as informações oficiais a ordem dia é treinar e evoluir o maximo possivel como um praticante completo!

Quarta-feira, Maio 03, 2006

Sobre clãs

O que é um clã? São pessoas comprometidas com um mesmo fim, no nosso caso o Parkour. Mas comprometidas com o quê? Na maioria das vezes eu só vejo um monte de gente treinando com mais gente, e elas se juntam, dão um nome impactante, jovem, radical e descolado, e de repente, como mágica, mais um clã se forma.

A maioria dos clãs que eu vejo se forma no processo contrário ao saudável. Aposto que tem clã onde tem gente que mal se conhece, ou nem se conhece. Outro dia estava treinando com mais dois amigos, quando fomos abordados por um cara que nunca viu a gente e que a gente nunca viu...ele relutou um pouco quando passou pela gente, mas voltou e disse:

Ele - É Le Parkour?
Eu - É.
Ele - E vocês querem...entrar para um grupo?
Eu - Ah...não é muito do interesse não, valeu...mas qual é?

Como que mágica, meu chute mental bateu certinho com a resposta do cara. Mas a conversa seguiu mais saudável depois disso. Você convidaria um cara que você nunca viu, sem referência nenhuma, para uma banda, um equipe de trabalho ou qualquer coisa parecida? Algumas coisas tem que se formar a partir da amizade, e a minha opinião é a de que um clã de Parkour é a mesma coisa. Por quê?

Porque amigos são os que já te conhecem, e acabam por conhecer algumas das suas limitações, e conhecimento mútuo pode gerar uma motivação saudável que dá ótimos resultados. Existem exemplos de grupos de amigos (de 3, nesse caso), onde eles combinaram que se um conseguir alguma coisa, os outros dois vão ter conseguir, ou treinar até conseguirem também. Competição? Eu diria que é uma forma de motivar e ir atrás da superação, porque nessa parte do treinamento entram os conceitos de auto superação e progressão individual contínua. Se insistirem em competição, eu insisto que é a competição mais saudável do mundo :)

Uma vez postaram na comunidade de Brasília postaram um clã que tinha que pagar pra fazer teste ou algo parecido. (Por uma coincidência é o mesmo que nos convidaram para entrar), mas acredito que já deixaram de lado a idéia. De qualquer forma, todo mundo é livre, e o bom senso de quem procura um clã (e eu queria entender a necessidade de muitos de participar de um) deve falar mais alto. Ou deveria, né.

Eu treino com as mesmas pessoas, regularmente, alguns são amigos anteriores ao Parkour, outros são amigos destes, também anteriores, que agora são meus amigos por causa dos treinos frequentes. E curto muito treinar com outras pessoas, quanto mais gente se conhece, mais se aprende, né? E muitos dos meus bons amigos eu fiz no Parkour, o que invalida a idéia de que um clã deve ser só de amigos anteriores ao conhecimento do Parkour...o que realmente é absurdo é se conhecer depois de "recrutar" (como muitos chamam), ou nem depois...

Um ponto importante é um grupo formalizado. Mas eu não gosto de associar isto ao conceito de clã. Acho que é melhor montar uma associação (como a PAWA, por exemplo, ), e as pessoas se identificam como associados, e montam seus clãs com seus amigos, treinando com outros clãs também associados. Um clã que chega a 10 pessoas regulares já dificulta os encontros, a progressão individual, a socialização (quanto mais gente, mais dificil conhecer todo mundo na mesma proporção dado um tempo fixo).

De qualquer forma, se você participa de um clã, faça dele o ambiente mais saudável o possível, conheça todos, aprenda o que puder com todos e ensine o que puder para todos. Existem várias histórias de clãs (A UFF é mestre em polêmicas de clã haha), então uma pesquisada básica pode dar uma luz sobre o que pode estar errado e o que pode melhorar, e claro, o que pode ser um exemplo da sua parte para os outros :)

Abraços

Terça-feira, Maio 02, 2006

O parkour chegou na minha vida de maneira muito parecida com a de milhares de praticantes. Ví um video chamado Speed Air Man, um dos primeiros videos do David Belle, que mostra diversas coisas que eu julgava inacreditáveis e até impossiveis para seres humanos. Escalar rapidamente, realizar saltos com uma precisão cirúrgica em lugares restritos, se equilibrar e acima de tudo ter força para executar isso de maneira que não comprometa o seu corpo.

A partir disso, comecei a pesquisar a fim de saber como era o esporte, quem o havia criado e comecei a pesquisar vários conceitos da 'Arte'. Desde o meu primeiro treino sério vejo o quanto minha vida mudou a partir da prática constante e segura do Parkour. Alem de ter emagrecido, ganhei um condicionamento físico e mental muito melhores e hoje em dia, não consigo me imaginar sem praticar o Parkour.

O parkour é para mim uma forma de se auto conhecer. Conhecer seus pontos fortes e suas limitações e aprender a trabalhar com isso, de forma a se tornar um ser humano mais equilibrado e capaz. Seguindo estes conceitos você estará plenamente preparado para praticar o Parkour de maneira segura. Mais nem sempre é assim...

Por milhares de vezes ouvi histórias e ví pessoalmente casos de pessoas que não levaram a sério a questão do auto conhecimento e das limitações e a grande maioria se machucou sériamente. Vale lembrar que o parkour originalmente não era pra ser uma atividade física perigosa. Mas que por conta de uma série de fatores incluindo a divulgação do Parkour de forma erronea pela mídia, a falta de pesquisa dos seus praticantes e acima de tudo o fator 'exibicionista' da nova geração, todos estes fatores ajudaram de alguma forma a tornar a pratica do parkour para alguns, algo mais arriscado do que deveria ser.

Em resumo, o parkour no meu ponto de vista é saber interagir com um ambiente de forma a se adaptar a percorrer os caminhos não obvios, preferencialmente de uma maneira rápida e com controle. Sempre procurando condicionar o corpo e a mente de uma forma segura. O verdadeiro traceur (Praticante de Parkour) é aquele que consegue se desenvolver sem se machucar, que respeita o ambiente que ele usufrui no momento da prática e que procura ajudar aqueles que desenvolvam o interesse nesta atividade física fascinante.

On Advance Toujours... et vous?