Segunda-feira, Março 27, 2006

Se todos os finais de semana forem como os dois ultimos, esse blog aqui vai virar um diario... mas existem coisas que devem ser compartilhadas...

Sabado de manha, treino na 309 Sul em Brasilia, treinamos la algumas vezes nos ultimos meses, chegamos como de costume e alongamos antes de fazer qualquer coisa, quando o porteiro do predio veio avisar que estava proibido "pular" ali e saiu antes que pudesse ser usado algum argumento.

Fomos ate a portaria e conversamos educadamente com ele, perguntando o motivo disso. Quando ele informou que a mais ou menos 1 mes atras um garoto caiu na garagem do predio, e se machucou tendo que ser removido pelos bombeiros. desde entao tornou-se proibida a utilizaçao do local, um local onde costumavamos treinar, e usamos a primeira vez quando fomos filmar o Beto e Bernardo. Sempre que treinamos la fomos bem recebidos principalmente pelos porteiros que a gente sempre pediu permissao pra usar, e nunca negaram, ate iam ver os treinos. mas por irresponsabilidade de uns perdemos nosso local de treino, talvez o melhor para treinar passe muraille. OUTRAS PESSOAS TREINAM NO MESMO LUGAR QUE VOCÊ, NÃO ACABE COM O TREINO DOS OUTROS.


na parte da tarde fomos a 309 norte, quando treinavamos garotos de 10 a 12 anos conversavam com a gente, e o Bernardo com seu jeito angelical e didático conseguiu explicar bem pros guris o que tava acontecendo, e qual era a diferença de um treino serio pros treinos dos garotos que só ficavam pulando por ali. ele também contou que um garoto tava em pé na ponta do muro que a gente treina subida, pouco mais de 3 metros, e o garoto perdeu o controle e caiu, se machucou mas nao foi nada grave.

logo depois indo pra 107 norte, quando chegamos tinha um grupo de garotos sentados conversando, enquanto alongavamos vieram perguntar se faziamos parkour, dissemos que sim, eles disseram que treinavam um pouco tambem e ficou por isso mesmo. enquanto treinavamos viamos os garotos executando alguns movimentos de forma descontrolada, teve ate uma cena muito engraçada do garoto plantando bananeira abrindo a perna, o outro passava e pulava entre as pernas dele... e diz que treina Parkour. Um deles caiu de joelhos no chão durante a "brincadeira" ficou gemendo durante algum tempo por la.

Talvez o primeiro e o segundo garoto, não estivessem treinando Parkour, estivessem simplesmente imitando o que viram na televisão, talvez nem soubessem que existe o tal parkour, só estavam brincando de pular por ai, sem saber o que faziam, o tipico "pratiquei quando era pequeno e nao sabia"... Mas o fato é que Parkour está na moda, e qualquer acidente relacionado a pulo, vai ser diretamente associado ao Parkour.


Triste.

Sexta-feira, Março 24, 2006

Quem leu o rodapé deste blog, viu que isso é a opnião pessoal de cada um, independente se faz parte da ABPK, ASFARC, FBI, Clanzinho da esquina, ou treina sozinho. e só pra deixar claro novamente, só quem faz parte da abpk neste blog, sou eu e o esquilo, uma vez que o Luiz a um tempo atras pediu pra sair, e o esquilo nem posta. (apesar do nome dele constar como representante).

Como vocês deveriam saber, uma associação é um conjunto de pessoas fisicas unidas por um proposito, ou seja, no nosso caso ajudar as pessoas a saber sobre PARKOUR. a ideia não é fechar o Parkour, nem a mente para outras ideias, mas como o site é sobre Parkour, queremos divulga-la da forma que David Belle criou, e como a PArkour Wolrdwide Association prega.

Os "cargos" da abpk, foram criados simplesmente por formalização da coisa, poderia ter sido qualquer um, alias quem foi e participou da discussão no evento de curitiba, viu quando falei que passaria o titulo pra qualquer um deles, se o problema fosse ter o titulo.

A Ideia de organizar representantes criava o fato de que cada pessoa, de algum lugar do país, que estivesse interessado no Parkour, pudesse localizar alguem proximo para estar iniciando, ou pelo menos conversando sobre. Nenhum momento criterio de representação foi "Panelinha", Eu não conhecia o ninguem da abpk, entrei nas comunidades de quase todos os estados, fiz topicos explicando minha intenção, e pedi para que as pessoas que fossem mais ativas em cada estado entrassem em contato comigo. A partir dai começamos a nos conhecer e assim viramos amigos. existem pessoas que participam da associação que ate discuti anteriormente, por motivos de ideais diferentes. Mas exatamente por discutir e estar presente na "cena" parkour que acontecia, essa pessoa se faria responsavel a ajudar quem quisesse aprender, e quem o procurasse.

Quando conversei com os representantes sobre o que seria a ABPK, pois era necessario definir metas, destaquei:

* Divulgar o Parkour na forma correta, sem distorções
* Auxiliar pessoas a ingressar na atividade.
* Organizar eventos para confraternizar e unir os praticantes

Mas tudo isso dentro do Parkour, não nos fechando, mas simplesmente voltado ao Parkour como criado por David Belle, cada um pratica como quer, e treina como te faz bem, mas a inteção da ABPK é passar sem distorções, com a intenção e proposito HOJE passado por ele, muitas coisas mudam, e evoluem, seja como for a ideia é acompanhar conforme a associação mundial for se modificando. não para ser uma copia, mas para seguir um padrão de ideias.

No caso de diferenciar entre XYZ Parkour, do "Parkour Puro" é uma questão que sempre foi, e sempre vai ser polemica. Porque isso entra no gosto pessoal de cada um. Por isso quando tive a ideia de criar a ABPK quis eu fosse algo direto. "vamos tratar sobre PARKOUR", a pessoa que continuasse pesquisando, conheceria os outros estilos, modalidades, filosofias, e aderindo ao que se sentisse mais a vontade, mas a ideia da ABPK é falar sobre Parkour. Não limitando o praticante de nada, mas definindo o que praticamos.

Quanto a richas, e coisas do genero, não sei de onde saiu essa ideia. Tiramos sim o blog do Akira dos Links relacionados, por muitas vezes apresentar erros grotescos, distorções e contradições. Nunca fiz criticas ao Le Parkour Brasil, pelo contrario cheguei a convida-los a vir a Brasilia, se eu realmente tivesse algo contra, eu não convidaria. Apesar de ser de Brasilia, política não é o meu forte. Ja cheguei a discutir com alguns dos membros, mas acredito que uma pessoa nao é forma o todo, e que não se leva nada disso pro lado pessoal.

A Parte sobre intervenção urbana causou um conflito que eu não esperava, até porque esse exemplo tirei de uma reportagem de floripa, e ate o esquilo comentou isso comigo.
Retirei de alguns sites alguns trechos interessantes que vão me ajudar a explicar:

"Provocar tensões entre as diversas operações urbanas, amplificar seu significado e impacto urbano, cultural e social, intensificando a percepção (critica inclusive), por parte do cidadão comum, destes processos é a intenção da intervenção urbana."

"Tudo que acontece no meio urbano é uma intervenção, desde o cara que vende bombons até o outdoor de refrigerante."

Quando escrevi sobre intervenção urbana, achei que as pessoas entendiam esses fatores, de que tudo pode ser usado como uma intervenção urbana, desde um Tubo de papel vermelho em uma praça, ate um time de futebol jogando descalço na rua em protesto por falta de apoio. a intenção é chamar a atenção e passar uma mensagem, muitas vezes de protesto.

Escrever aquilo foi simplesmente contra fazer parkour pra chamar atenção, impressionar, causar impacto. Usar o Parkour em um projeto para intervenção urbana pode ser bastante proveitoso, para projetos sociais, melhor ainda. Mas uma pessoa começar a praticar querendo impressionar, e chamar atenção adiciona riscos desnecessarios.

Em nenhum post do orkut, forum, ou pessoas que vem no MSN eu uso a abpk como forma de "mostrar poder", por que seria um poder que não existe. Todo mundo dentro da ABPK tem poder de voz, assim como todo mundo de fora. Usamos muitos textos traduzidos, e traduzidos por voluntarios que enviaram email, postaram no forum, textos que são interessantes para a prática. Mostrar a visão de pessoas que praticam a muito mais tempo que eu, e todos neste pais, e que se dedicam a pesquisar e entender bem o assunto, ou outros que simplesmente podem trazer beneficio ao treinamento de alguem. mas textos traduzidos não são de todo mal, e de certa forma, serve de referencia para muita gente, que os copiam e continuam divulgando a ideia. (todos os textos divulgados, tem pedido pedido de autorização)


Em resumo, a ABPK foi feita para ajudar iniciantes, e unir as pessoas. Não abrimos margens a nenhum dos outros estilos, e movimentos considerados "não parkour", simplesmente por tentar focar ao maximo no ponto principal do Parkour, a eficiencia. Eu dou girinhos, Belle faz girinhos, todo mundo faz girinhos, mas focar isso como base pra quem quer começar, representa riscos. Se você pode pular de um predio para outro, você tem confiança no seu treino e na sua habilidade. Se referir a essas coisas como "não parkour" se refere atitude irresponsavel, de pular um predio pra dizer que pratica parkour, e novamente se arriscar por tentar impressionar. Lembrando que o foco maior da abpk é pra quem ta começando e não conhece, onde tem que ser tudo mastigado, e tudo mostrado com o maximo de segurança possivel, para não incentivar riscos nem acidentes.

Quem acompanha os forums de discussões e comunidades ja presenciou diversas pessoas que estão entrando no esporte, dizendo coisas do tipo, "Vou me quebrar todo!!!", ou situações de pessoas no seu primeiro treino saltando de 3/4 metros, sem nenhuma técnica, sem ter treinado um landing ou rolamento. mostrar o lado seguro da coisa, é previnir que as pessoas antes de pular tenham consciencia de que existe uma técnica por tras daquilo, não é só dizer: "estou fazendo parkour agora, posso pular".

a questão toda não é limitar o parkour, mas limitar os riscos. e tentar mostrar pras pessoas que os movimentos são uma parcela minima do parkour. o caratér de um traceur, vale mais do que qualquer movimento.

Quinta-feira, Março 23, 2006

Mudanças

Quando eu comecei a "treinar" Parkour como todo mundo, ou a maioria, me encantei com os vaults (principalmente os com mais estilo e estética complicada) e spins. No começo é o que mais impressiona, e o que parece ser mais divertido. Porém quanto mais complexo são os movimentos que você quer começar a treinar sem um preparo anterior, maiores são as chances de você se ferir.
Hoje meu treino é baseado apenas em força física, precisão (equilíbrio), lachè, escaladas, saltos (com e sem rolamento) e os vaults mais simples (speed, monkey/king kong, gate, lazy, thief e turn), tudo isso repetido exaustivamente. Depois de realmente sentir na pele o que é praticar e aprender mais sobre o esporte são essas coisas, que parecem ser tão simples, que mais me chamam a atenção. Tomando o video Accroches Toi!!!, de David Belle e Seb Goudot, de referência, veja como é bonito ver o David Belle subindo aquela casa de Lisses com tanta facilidade, fazendo aqueles precisions do alto, saltando e rolando. Conseguir HOJE fazer isso, e bem, é prazeiroso pra MIM. Estou treinando certo? Vai saber, mas é o que me agrada, não me coloca em risco e me satisfaz, físico e mentalmente.
Portanto, cada um deve ter sua própria forma de treinamento e objetivo seja no Parkour, Freerunning, StreetStunts e derivados, mas respeitando sempre os próprios limites e o teu corpo. Procure sempre fazer, e fazer bem, as coisas mais simples da forma mais natural e fluente possível, como se fizesse o movimento desde que nasceu. Paciência, nem tudo se consegue na primeira vez, no primeiro dia, semana ou mês de treino. Das coisas "grandes" o tempo se encarrega. Assim os riscos de se machucar ou ter um problema futuro serão bem menores.

Quarta-feira, Março 22, 2006

Só corrigindo o bebe: Nem todos são da ABPK. Eu e o Tiago também não somos. E é Hebertiste, não Herbertiste ;)

Fora isso, excelente texto.
ABPK? Le Parkour Brasil? Leonard Akira?

Aproveitando o comentário pertinente do Eduardo, vou dar algumas opiniões aqui. Eu idealizei esse blog para que um grupo de amigos pudesse escrever opiniões pessoais sobrem vários aspectos do Parkour. Eu não sou da ABPK, apesar de quase ninguém notar isso hehe, mas acaba que o blog fica muito ligado porque todos os outros são. Então de uma vez por todas, o blog NÃO tem a ver com a ABPK.

O que eu acho da ABPK? Acho que Associação é um nome infeliz, considerando a situação atual de associação da ABPK, pois fica um ar de coisa oficial, mas não é uma associação regularizada, e eu realmente não vejo trabalho atual para que isso se concretize. Presidente? Até onde eu sei, um presidente é eleito, e realmente discordo de só uma pessoa a frente da ABPK. É, claro, uma ótima referência, onde todos os participantes são conhecidos pelo Brasil pela qualidade, seja das palavras ou do Parkour em si.

Há um bom tempo atrás, antes de ter ABPK, inclusive, eu troquei alguns emails com o pessoal que é hj em dia da ABPK e do Le Parkour Brasil, sugerindo uma integração para montarmos uma associação, onde os mais responsáveis pela divulgação em cada cidade formariam algo tipo um conselho, para centralizar a divulgação e ter um só orgão forte e influente no Brasil inteiro, mas até hoje estou meio decepcionado com a falta de vontade dos dois lados...

Quanto ao pessoal do Le Parkour Brasil, eles tem o mérito de serem reconhecidos como bons praticantes e divulgadores. Mesmo porque eu lembro de um deles (acho que foi o Eduardo) dizendo que um das propostas principais do grupo era a divulgação. São de fato pessoas que eu não conheço direito, e de todo o pessoal que pratica há mais tempo são os com quem eu mantenho menos contato. Por ter sido o primeiro grupo criado no Brasil, não sei em que âmbito, o nome constando Brasil ficou, e mesmo não sendo um grupo que abrange todo o Brasil (na verdade abrange só a cidade de São Paulo), é um grupo que divulga para todo o Brasil. Eu discordo do nome, mas toda vez que alguém discorda o pessoal dá chilique e vem cheio de histórias e justificativas ;) E acho que as vezes, por terem um nome assim nas costas, se colocam um pouco acima de todo mundo. Mas antes eles do que um mala com um nome assim.

E por falar em mala, de quem todo mundo lembra? Enough said :D

Aos que procuram uma referência no Brasil, eu sugiro que procurem as referências do pessoal do Le Parkour Brasil, da ABPK, etc., que são os idealizadores e influentes de todo mundo. Visitem a Parkour.net, ouçam caras como o Herbertiste, Thomas-des-Boi (minha vida mudou depois que eu aprendi a absorver impacto de queda pequena/media do jeito que ele disse). Leiam o que o David Belle tem a dizer. E cresçam como pessoas para aprender a separar o joio do trigo.

O Jerônimo há um tempo atrás disse que o Parkour no Brasil anda muito bem. O Beto acabou de dizer que vai muito mal. Eu digo que vai muito bem pra gente, mais experiente, que começou do jeito certo, que treina com seriedade e tá sempre evoluindo, satisfeito com os resultados pessoais. Mas digo também que vai muito mal pela molecada inconsciente que fica se jogando com esse "novo esporte de pular coisas".

(Talvez o único grupo sério do Brasil)

Segunda-feira, Março 20, 2006

Eu estava elaborando um post quando li a postagem do Luiz aqui em baixo, que está totalmente ligado ao que eu queria passar.

Sabado saimos pra treinar num grupo pequeno, 5 pessoas, nada mais tranquilo, durante o aquecimento em uma praça na frente de uma sorveteria popular aqui de Brasilia, não fizemos nenhum movimento, apenas alongavamos, e conversavamos enquanto observavamos tres garotinhos de uns 10 anos saltando de uma estrutura de ferro de mais ou menos 1,5m, quando alcançavam o chão, tentavam rolar de forma frustrada, e visivelmente machucando partes do corpo.

Continuamos entramos em uma quadra residencial pra proseguir com o treino, e perdemos os garotos de vista, treinamos durante algum tempo e fomos para outra quadra, longe dali. Treinamos nessa outra quadra durante umas 2 horas, e de repente outro grupo de entusiastas apareceram, uns garotos de 12/14 anos se jogando no chao, rolando, imitando os movimentos e novamente se machucando de forma visivel.

acabamos o treino e fomos para outra quadra mais distante dali, tomar um açai e conversar um pouco, quando outra vez vemos alguns jovens tentando movimentos de Parkour , provavemente tinham uns 15 anos, então eu e o breno depois de ver tantas vezes garotos tentando imitar os movimentos fomos lá tentar entender o que se passava, a conversa não durou muito e foi mais ou menos assim:


:Vocês estão fazendo aquele esporte novo?
- É, Parkour!
:e como é?
- Assim ó, *palmspin roubado na quina dum murinho*
:Mas isso é parkour? só isso?
- é pular as coisas.

*breno dando precision de 11pés*
- Voces ja fazem?
:a um tempo...
- e ja sabem dar wallspin?

No dia seguinte teve um encontro organizado por um membro da comunidade de brasilia no orkut, que juntou facil mais de 50 pessoas. tive que ir pra comprovar, foi triste, povo querendo brincar de pique-pega, gente que nunca tinha treinado querendo pular e sair por ai se jogando, povo fazendo coisas pelo risco, pelo novo para aparecer, impressionante como todos querem ser radicais, uma nova moda estourou no Brasil, uma nova moda perigosa, que esqueceu a real função do parkour, e transformou isso em um esporte com potencial de alto risco, muitas pessoas vão morrer e se machucar, mas a midia não está se importando com isso, ela quer apenas mostrar o que vende imagem, o incrivel, não o certo, não a verdade.

Ver pessoas com roupas estilizadas, camisetas de parkour, coleiras, ematomas, ralados, pulando as coisas, e gritando "YEAAAAAHHHHHHHH", uma arte disciplinar que visa o respeito e o silencio, a concentração, a sensibilidade e o toque. ver praticantes de Parkour juntos, "Treinando", sem discutir uma técnica, sem se concentrar, sem o minimo interesse sobre o que estão fazendo, simplesmente pulando "vamos saltar muito". esse é o Parkour Brasileiro, Parkour radical, intervenção urbana... lixo. Enquanto a midia não fizer questão de mudar essa imagem, não procurar expor como praticar de forma segura, e os divulgadores não se esforçarem, vão aparecer desenformados, e feridos, as vezes até mortos, não praticando Parkour, mas praticando o que eles achavam que fosse.

Freestyle Parkour e Freerunning são coisas perigosas, essa distorção associada ao nome Parkour está se tornando febre, e a falta de informação cada vez maior.

Na frança a associação yamakasi treinam pessoas para a pratica da Art du Deplacement, a associação yamakasi pode aceitar ou negar qualquer pessoa sem um critério especifico, a pessoa ao aceitar entrar pra associação e ser treinado por eles ficam 1 ano proibidos de saltar, fazem treinos fisicos, fortalecimento, aprendem técnicas. se for desrespeitado, são expulsos.´

a uns meses atras eu diria "cade a liberdade da arte?", mas vendo mais de perto como as coisas explodem e acontecem, concordo com a frase dos yamakasi,
"A Art du deplacement não é pra qualquer um, é preciso saber absorver isso".

a frase do maximo ridiculo disso tudo foi postado na comunidade quando:

"Sim, eu vou lá, vou me quebrar todo!!!!!!!"

as informações foram escritas direto, talvez se choquem ou fiquei meio vagas, mas no geral é isso.

antes de começar a praticar parkour, saiba se é isso mesmo que você quer, saiba a coisa certa a se fazer. ser forte para ser util, isso é parkour. (vide post do Luiz)

Domingo, Março 19, 2006

Considerações...

Ontem tivemos pela manhã duas entrevistas aqui em Curitiba, 1 para um grupo de estudantes de jornalismo e outra para uma revista/site de cunho social. Estes dois contatos, com futuros geradores de opinião, jornalistas, produtores, redatores, etc. e com os dois integrantes do site, foram uma oportunidade de comentar a respeito de algumas coisas a espeito do Parkour no Brasil e no mundo, que eu gostaria de expor aqui.

Todos (ou quase todos) sabemos que o Parkour surgiu na França, criado por David Belle, com influencia de seu pai e de suas referencias como Bombeiro e das de seu pai como Bombeiro e resgatista militar, sabemos tambem que os exercicios militares e para-militares na França são profundamente embasados no Método Natural de George Hebert, que consiste em exercicios que simulam situações reais somados a exercicios de repetição de movimentos naturais da pratica a que você se prepara a praticar. Hoje os seminarios e eventos de Parkour organizados pelos representantes da PAWA somam Parkour, Método Natural e Defesa pessoal, visando formar o atleta completo e o cidadão prestativo, apoiando-se na máxima: "ser forte para ser útil".

Quando o esporte chegou a Inglaterra, através do documentário Jump Lodon e dos videos de internet, toda a intençaõ de funcionalidade e o carater social da pratica (ser um integrante util na comunidade) se perdeu em meio as traduções e pouca informação vinda dos franceses e dos devaneios filosoficos de Sebastien Foucan na série Jump.

Ao chegar ao Brasil o principal acesso dos praticantes foi a essa informação em Ingles, que já se tratava de uma distorção da pratica Francesa, somada a mais dificuldades de compreender do que se tratava, a grande midia apoiou-se em informações incertas, realizou uma divulgação em massa do que julgava ser Parkour, criou um "novo esporte radical" incitou jovens a praticar "o novo esporte urbano" todo mundo quer ser cool e fazer Parkour, mas ser util ficou em segundo, até terceiro plano... o principal hoje, para esses novatos, é ficar "bom" fazer comercial e aparecer na TV, e o mais importante, denominar-se Traceur, e ter muito orgulho disso, afinal, ele divulga o esporte, explica sobre o Flow, etc...

Chegamos a conclusão, após as entrevistas, que entramos em um caminho sem volta, não poderemos convencer o grande publico de que Parkour não tem nada de "esporte radical urbano", que pular de uma casa ou fazer milhões de videos não são as prioridades para um Traceur. seria mais facil dizer que eu pratico o Método Natural, ou no meu caso, Parcours du Combatant...

um Traceurs (na concepção Francesa) deve ser capaz de cumprir qualquer trajeto, não importa o que sejam os obstaculos, seja um muro, uma construção, uma floresta, um canal ou um trecho de mar... considere que a intenção é ser util em emergencias! se for um parente seu com problemas, e você não for capaz de correr/nadar/escalar a distancia necessaria para buscar ajuda, qual a sua utilidade para sua familia? e se não for um parente seu? qual sua utilidade para seus amigos? para a sua comunidade?

ser um praticante de PARKOUR é ser um cidadão melhor e uma pessoa melhor, se você não concorda com nada do que escrevi acima, você provavelmente pratica os movimentos do Parkour, porém, não é um Traceur...

Quarta-feira, Março 08, 2006

Parkour, esporte radical?

Parkour é tido na mídia e até por muitos praticantes que não conhecem muito bem a disciplina como um "esporte radical". Por que isso?

Primeiro, definir um esporte radical é uma tarefa difícil: Geralmente envolve velocidade, perigo, alturas, manobras radicais, e de uma forma ou de outra libera para o cérebro doses de endorfina, adrenalina e dopamina (não quero entrar em detalhes pra nao desvirtuar o assunto, mas o google tem ótimas fontes sobre isso, vale a pena perder umas horinhas lendo). Acontecem em situações de risco PROVOCADAS, ou seja, voluntariamente e oportunamente criadas para nos colocar nessa situação e dar a sensação de "descarga de adrenalina" como chamam.

Todos os esportes tidos como radicais praticados com prudência têm toda uma preparação e análise dos riscos envolvidos, criando assim uma segurança minimizando os possíveis acidentes, com riscos calculados. A segurança desses esportes se baseiam não só na preparação física e mental dos praticantes, mas dependem muito também de dezenas partes do equipamento. No paraquedismo, por exemplo, o equipamento mais caro é o que você menos espera usar: O Cypress, que detecta se você não abriu o paraquedas numa altura muito baixa (pré-definida) e automaticamente abre o reserva.

Agora, no Le Parkour (atenção: não estou falando de freerunning ou qualquer outra vertente "alternativa" ao esporte ORIGINAL criado por David Belle e suportado pela PAWA), a filosofia prega não só o desenvolvimento de técnicas, mas (entre outras coisas) o conhecimento do seu próprio corpo. Quer um exemplo? Jackie Chan é conhecido por não usar dublês nas suas cenas espetaculares, e já ter quebrado TODOS os ossos do corpo, alguns mais de uma vez. David Belle é conhecido por não usar dublês nas suas cenas espetaculares, e nunca ter tido nenhum ferimento grave.
Por isso, a única segurança no Le Parkour é a sua consciência. A partir do momento que você tem plena segurança e consciência de que o salto ou a manobra que você faz é segura e não oferece risco algum à sua saúde, a sensação de "descarga de adrenalina" não é a mesma que um salto de 4 mil metros de altura, ou um duplo mortal num patins onde você além da sua consciência conta com dezenas de equipamentos externos. No curso de paraquedismo, por exemplo, você aprende a lidar com inúmeras panes e anormalidades que podem acontecer com o equipamento e não dependem de você. Digo isso como um praticante de paraquedismo que passou horas numa sala de aula aprendendo, e toda manhã antes de saltar ainda revisa todas as possibilidades.

Os treinos de Le Parkour são executados com cuidado, onde o praticante gradualmente desenvolve o corpo e a mente para que se adapte ao ambiente (seja uma cidade, uma floresta, seja qual for). No entanto, esses treinos são feitos para nos preparar para uma eventual situação real. Estando numa situação real de perigo, seja ela provocada ou não, (uma perseguição por exemplo), vários fatores são adicionados à sua mente no momento, como aquele galho da árvore que pode ser frágil (ora, você não tem tempo de parar de fugir pra testa-lo), se azulejo daquele muro ta solto, se o perseguidor vai te alcançar, etc. Aí sim, a ansiedade aumenta e o que passa pela sua mente muda.

Algumas teorias até excluem o "Le Parkour" da condição de esporte. Segundo o dicionário Houaiss, esporte é: "atividade física regular, com fins de recreação e/ou de manutenção do condicionamento corporal e da saúde; desporte, desporto". Eu, particularmente acho que embora seja muito mais que um simples esporte, essa não é uma definição errônea.

Por isso considero que Le Parkour, se colocado numa situação de risco, pode provocar os mesmos sintomas adquiridos na prática de um esporte radical. No entanto, um treino feito com prudência e como pregado pela filosofia, não deve ser tomado como esporte radical.



Essa é apenas a minha opinião. Diferente de temas como "O que é Le Parkour" ou "Mortal faz parte de parkour" onde a resposta já foi muito bem definida pelos criadores e suportadores do esporte, esse assunto depende muito da interpretação de conceitos, principalmente o de "esporte radical", assim como opiniões de especialistas sobre o efeito psicológico desses esportes.